Bolsonaro nomeia genro do Silvio Santos, Fábio Faria para o Ministério das Comunicações

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Escolhido para comandar o Ministério das Comunicações, recriado ontem, Fábio Faria é deputado federal do PSD pelo Rio Grande do Norte, integrante do centrão e genro do empresário e dono do SBT, Silvio Santos. Ex-apoiador de governos petistas, como Lula e Dilma Rousseff, passou a criticar o PT e a defender o governo Jair Bolsonaro (sem partido). O convite a Faria faz parte da estratégia de Bolsonaro de melhorar a relação com o Congresso e tentar dar nova cara para comunicação do governo, vinculada à ala ideológica.

Faria tem 42 anos e nasceu em Natal (RN). Ele é casado com Patrícia Abravanel, uma das filhas de Silvio, desde 2017, com quem têm três filhos: Pedro, 5, Jane, 2, e Senor, 1. Antes de Patrícia, namorou Adriane Galisteu e Sabrina Sato.

O deputado está no quarto mandato na Câmara e, para assumir o ministério, precisará se licenciar da Casa, assim como fizeram outros ministros, como Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Tereza Cristina (Agricultura).

Amigo de Maia e aposta na articulação na Câmara

Ele é conhecido por ter bom trânsito no Parlamento e atuará como uma peça importante no xadrez político do governo Bolsonaro neste momento. Por ser integrante do PSD, partido que compõe o centrão, espera-se que a ascensão de Faria ao ministério facilite a formação de uma base aliada no Congresso e seja mais uma ponte com parte dos parlamentares nem governistas nem oposicionistas

O PSD sempre buscou estar ligado à área de Comunicações, com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab tendo sido ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações entre 2016 e 2018, no governo de Michel Temer (MDB). Agora, a indicação contempla diretamente o partido. Recentemente, o PSD também conseguiu emplacar uma nomeação para a Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Em entrevista ao UOL, Kassab negou a troca de cargo por apoio.

Ao mesmo tempo, a escolha de Faria tende a agradar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem é amigo.

Maia mantém com Bolsonaro somente um relacionamento institucional necessário e é o responsável por acolher ou não a tramitação de pedidos de impeachment contra o presidente da República protocolados na Câmara. A expectativa é de que a nomeação de Faria possa aliviar um pouco os ânimos e ser interpretada como um gesto de boa vontade.

Fábio Faria também procura manter boa articulação com o Palácio do Planalto, não somente sob o comando de Bolsonaro.

Por vezes junto ao seu pai, o ex-governador do Rio Grande do Norte Robinson Faria, Fábio visitava os então presidentes Luiz Inácio da Silva, Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer na sede do Executivo em Brasília.

Investigado por suposto esquema de corrupção com o pai.

Robinson e Fábio foram investigados em um inquérito autorizado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin a pedido do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base em delações da Odebrecht.

Ambos eram suspeitos de receber doações eleitorais por meio de caixa dois à época em que Robinson era governador do RN e negaram as acusações. O inquérito foi depois arquivado a pedido da PGR. Os autos do processo referente a Robinson foram remetidos ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

No STF, eles ainda foram investigados após serem citados em delação do grupo J&F. O Tribunal acolheu pedido de arquivamento da PGR no caso de Fábio e remeteu os autos relacionados a Robinson ao STF.

Neste ano, Robinson foi denunciado pelo Ministério Público do RN por peculato ao ter supostamente desviado mais de R$ 1 milhão por meio de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa do estado.

 

Fundo Eleitoral e patrimônio

Na polêmica sobre o valor do Fundo Eleitoral, o deputado se manifestou contra o aumento para R$ 3,8 bilhões. Em vídeo no Twitter, disse que “de jeito nenhum”. Ele votou a favor do fundo de R$ 2 bilhões, seguindo a orientação do partido.

Na eleição de 2018, Faria recebeu um cheque de R$ 1 milhão do Fundo Especial do PSD. O valor correspondeu a 74,48% do valor de sua campanha, R$ 1,3 milhão.

Na prestação de contas que à Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 6,4 milhões. O valor está distribuído em ações, um apartamento, terreno e nos carros Mercedez Benz GL-350 e Azera GLS 3.0.

por Guilherme Mazieiro e Luciana Amaral – Do UOL, em Brasília –11/06/2020 13h16

Edição – Wilson Barbosa  – Jornal Cidades